Diário da Nola São Paulo
Vitão no carnaval!

Vitão no carnaval!

Não quero ter razão, quero ser feliz
Ferreira Gullar

// Não querer é poder//

“E o homem criou deus. Não acredito em deus. O homem inventou deus para que este o criasse, já que o mundo é incompreensível. Não é a toa que depois de séculos de materialismo e ciência, bilhões de pessoas continuam acreditando em deus. Elas necessitam disso, pois a vida é inventada. É como o poema, que nasce do acaso e da necessidade. Eu invento aquilo que está em mim potencialmente. Não vou virar Pelé se não tiver talento para isso. Vivemos em um mundo de valores estéticos, éticos, morais criados por nós.
  
Li esta opinião ontem, enquanto aguardava ser atendida no consultório de fisioterapia. Ela pertence a Ferreira Gullar, um poeta brasileiro de 82 anos. Durante a leitura, muitos trechos me chamaram a atenção, porém, este foi o que resolvi compartilhar com vocês. Em apenas 8 linhas ele chama a atenção para diversos aspectos.
image

O que me atrai em especial é a parte que ele fala sobre os valores que criamos para nós e sobre nós mesmos. Valores estes que, a partir do momento que expomos, sentimos a necessidade de reconhecimento, para que assim, sejamos condecorados e valorizados perante nossa sociedade. Nos auto inventamos para nos tornarmos seres “existentes”.

Tudo o que temos, tudo o que vivemos e todos os nossos valores foram inventados. Culturas que foram sendo desenvolvidas com o passar do tempo. Viver nesse mundo, de conceitos e valores pré estabelecidos muitas vezes é difícil. Mas, pense um pouco, algumas vezes é difícil porque queremos que assim o seja.

Temos o poder de aprender, nos auto conhecer e com isso, desenvolver nossos próprios valores, criar novos e modificar outros tantos que não se encaixam em nossas vidas. O desapego é essencial para nossa evolução, aceitar e pegar para si o que é válido e, deixar ir, o que não faz bem. Como Fernando Pessoa diz: “a renúncia é a libertação. Não querer é poder.”
chega dessa vida.

chega dessa vida.

Relaxa e goza!

Relaxa e goza!

Hoje é sexta!!

Hoje é sexta!!

// Gosto de pessoas fáceis…//

… e confesso que sou fácil também. Sinto que, muitas vezes “complicamos” nossas vidas em momentos desnecessários, ao pensarmos de mais e ao não sermos claros em nossos desejos, expectativas e vontades. 

Ano passado, um casal de franceses, vieram estagiar na agência e conhecer um pouco nossa cultura e país.  Não demorou muito para que logo estivessem entrosados com todos. Eram pessoas fantásticas e nos faziam rir muito. Uma atitude deles sempre me chamava atenção e surpreendia pela simplicidade: o casal tinha como hábito almoçarem juntos, todos os dias, apenas os dois. Todas as vezes que os chamávamos para almoçar nos respondiam com um simples “não, obrigado” e assim sucessivamente, dia após dia. As vezes nós insistíamos, e eles continuavam efusivos ao “não, muito obrigado”, simples assim, sem aquela coisa piegas de ficar dando milhares de desculpas, ou inventando um “talvez” para que no momento crucial, o “não” fosse dito.  

A dificuldade do “não” é algo que atormenta muitas pessoas, transformamos uma simples resposta, entre aceitar ou recusar um determinado pedido ou convite em um problema. Acredito que tudo seria mais fácil se respeitássemos nossas vontades. Queremos encontrar aquela pessoa que faz o convite, naquele momento, seja ele um amigo, família ou namorado? Temos vontade? Sim ou Não? O “talvez/não sei” nesse caso não existe, porque estamos nos perguntando primeiramente se existe a vontade. Se existir a vontade, a resposta já está dada, bastando apenas combinar o dia e o horário. Quanto ao local ou o que será feito, fica no campo dos supérfluos, pois o mais importante, que é o desejo do encontro, já foi identificado.

– Vamos fazer alguma coisa amanhã?

Vamos.

– Quer jantar quarta-feira?

Sim.

– Vamos na festa XYZ? Vai “bombar”.

Não, não to afim.

Muitas vezes, tememos não especificamente o “não” propriamente dito, e sim a reação da pessoa que está do outro lado, aquele que vez o convite, pois não desejamos magoar ou enfurecer ninguém. Muitas vezes, não percebemos que o “talvez” acoplado a alguma desculpa, complica mais ainda o que deveria ser simples. 

Eu particularmente prefiro ouvir um “não” sincero, o “não” da independência, a um “sim” da covardia ou o “talvez” da enrolação. E você, prefere se enganar ao invés de dizer o que realmente têm vontade? 

"Tente ser feliz ao invés de tentar ser perfeito."

"Abre os teus braços, meu irmão, deixa cair Pra que somar se a gente pode dividir?”
"Abre os teus braços, meu irmão, deixa cair
Pra que somar se a gente pode dividir?”
Pra que somar se a gente pode dividir.
Toquinho

// O desprendimento do julgamento//

O ser humano é um ser pensante. O poder do pensamento nos possibilita, através da observação e aprendizado, a capacidade de desenvolver ideias e opiniões. Ao desenvolvermos nosso raciocínio, automaticamente acreditamos que desenvolvemos o “poder” de julgarmos uns aos outros. Esquecemo-nos que cada cabeça é um mundo, com sua própria moral, realidade e sensibilidade.

O ato de julgar faz parte do nosso dia-a-dia, é tão fácil desenvolve-lo que muitas vezes nem sequer percebemos que o estamos praticando. Julgamos a tudo e a todos através de suas roupas, sua aparência, seu modo de falar, seu status social, suas escolhas, seus pensamentos, e assim por diante.

Hoje eu assisti a um comercial que me fez relembrar alguns dos meus pensamentos. O quanto julgamos o comportamento e os pensamentos dos outros. Mas, muito mais do que isso, o quanto estamos condicionados a não enxergar e ignorar os problemas e algumas pessoas que estão ao nosso redor. Assista ao comercial e entenda um pouco mais o que quero dizer:


Esse comercial representa nitidamente esses dois paradigmas em apenas 1 minuto e nos faz perceber o quanto, a partir de nossas vivências, nossas ideias pré-estabelecidas e nossos pré-conceitos, acreditamos que somos capazes de premeditar as atitudes e pensamentos dos outros indivíduos. Como no comercial apresentado, em um gesto de defesa e blindagem, nos auto preservamos, desenvolvendo um bloqueio antes mesmo que o “ataque” seja feito.

De quebra, o filme escancara uma realidade que não queremos ver. O nosso próprio preconceito e inércia referente as diferenças sócio econômicas advinda do capitalismo. Ao solicitar uma ajuda a criança recebe uma resposta mecânica dos transeuntes, a partir dessa automação de respostas como: “hoje não têm como” ou “não tenho”, as transformamos em seres invisíveis, pelo simples ato de projetarmos uma imagem de pessoa anulada, insignificante para o sistema. Essas respostas pré-estabelecidas são provenientes dos nossos preconceitos estabelecidos de que pessoas em situações precárias, ao se aproximarem incomodam, sendo assim, não desejamos vê-las, sendo mais fácil ignora-las.

O choque acontece quando a criança insiste e informa que não é dinheiro o que ela deseja e sim o esclarecimento de uma dúvida de português. Quantas vezes já não fomos surpreendidos, ao desenvolvermos uma imagem de alguém e recebermos como resposta algo totalmente inesperado, fora da nossa “caixa” de pensamentos? Este comercial é um exemplo claro de como permitimos que nossos pensamentos e preconceitos interfiram na completude das relações que desenvolvemos.

O filme, apresenta uma realidade presente no dia a dia de todos nós, seres racionais e emocionais. Com isso me pergunto, quantas oportunidades nós deixamos passar,  a partir do momento que preferimos julgar o outro, nos fechando para o “estranho” ao invés de expandirmos nossos seres a um novo universo de pensamentos?

 


Hoje te faço um convite, praticar um exercício de reflexão. A idéia é simples: o exercício consiste na experiência do “desarmamento”. Permitimo-nos abrir espaço, para quem ou o que quer que seja, sem que nossas ideias, pré-estabelecidas, interfiram. Desta forma, abrindo caminho para novas possibilidades.

O segredo para a felicidade é preencher o dia-a-dia com vida.
Juliana Nobre

Nascemos multimilionários, detentores de riquezas incalculáveis. Possuidores de ummundo, com inúmeras possibilidades, em nossas mãos. A vida, com sua inocência é como uma mata virgem a ser desbravada, que está apenas nos esperando.

Empobrecemos com o passar dos dias. Trocamos nossos bens mais preciosos do viver por correntes invisíveis, que nos asfixiam gradativamente. Cultivamos essas amarras que nos aprisionam mais e mais, dia após dia, a cada nova compra que efetuamos. Cada nova aquisição, sendo está de um bem material ou de serviço, adiciona uma nova vertente a este nosso leque tão “adorado”, de correntes multifacetadas, que nos “agregam” status e nos “auxiliam” a desenvolver e “explanar” nossa própria identidade.

O fato mais engraçado é que acreditamos desejar essas pequenas prisões e que as adquirimos por vontade própria. O tudo ter, ganhou um novo significado: “liberdade”. O que não se percebe é que este ato, se vira contra nós, em forma de contas à serem pagas no final do mês. Compramos para alimentar este mercado no qual estamos inseridos. Trabalhamos, não para o desenvolvimento pessoal ou por prazer, muitas vezes desenvolvemos nossas atividades, mesmo insatisfeitos com o emprego, para que no final do mês tenhamos dinheiro para mantermos os bens de consumo que nos trazem “felicidade”, suprindo assim, a sensação de estarmos sempre a frente do outro, apresentar nosso status social e sermos aceitos por nossos semelhantes. Vivendo um ciclo continuo de sempre desejar mais e conquistarmos aquilo que ainda não temos.

Vivemos aprisionados pela modernidade, desde a maternidade até a morte. Estudo, trabalho, consumo; estudo, trabalho, consumo; sendo este, um ciclo contínuo até o fim da vida. Esse ciclo, que nos consome é chamado pelo mercado como “liberdade”, liberdade de escolha e liberdade de consumo. A cada dia mais, me pergunto: que liberdade é está que foi desenvolvida em detrimento da nossa destruição?

É de conhecimento público, a grande leva de novas doenças humanas, físicas e psíquicas que assolam o mundo contemporâneo, entre eles podemos citar, o cancêr, a obesidade, a depressão, a ansiedade, o estress, etc. Além disso, ainda podemos citar a doença do planeta, que se desintegra mais e mais, dia após dia, ao consumirmos todos os seus recursos para a continuação da vida. Essas e outras inúmeras doenças são causadas pelo “desenvolvimento”, que nos insere esse tipo de comportamento. Quanto mais doentes, o planeta e as pessoas são, mais consumirão.

Façamos um exercício simples. Pergunte-se o que é realmente fundamental para a continuação da vida? Ar, água, comida, abrigo e relacionamentos. São esses os 5 itens que me parecem ser primordiais para a sobrevivência. Imagina agora o que seria da sua vida se não existisse o combustível e a eletricidade? Pior ainda, imagina o que seria da sua vida se acabasse o combustível e a eletricidade? Fatalmente toda essa tecnologia e nossos bens materiais não seriam assim tão “valiosos” e precisaríamos nos adaptar a essa “medonha" realidade.

Eu gostaria de não ter nenhuma corrente à me aprisionar, porém, tenho muitas. Assim como você também deve ter as suas. Mas, acredito que a liberdade, a leveza e a beleza da vida são nossas maiores riquezas. E, os nossos bens mais valiosos só podem ser guardados em nossos cofres da memória. Onde, a nossa verdadeira riqueza é intangível.

Tentei. Mas
não consegui
encontrar uma
descrição.